Por Vinísia Mateus
Onelifeluanda (OL): O que exactamente faz um trader no mercado da criptomoedas?
Mateus Kiamba (MK): Um trader em criptomoedas não é mais do que um exímio minerador, cujo objectivo é encontrar moedas digitais por meio das plataformas na internet, que fazem a compra e venda dos criptoactivos para depois as comercializar.
OL: Existem dois tipos de traders, os que compram criptomoedas através de uma Exchange e os que fazem especulações sobre o preço das criptomoedas. Fale um pouco sobre isto.
MK: Temos traders que são consultores, que prestam o seu serviço por intermédio de uma boa plataforma, a título de exemplo, o mercado forex, que é um pouquinho mais competente e poderá proporcionar uma maximização do lucro. Como trader, eu faço o trabalho para si e ao mesmo tempo acabo ganhando também, ambos ganham.
OL: Que tipo de trader é o senhor?
Devido às condições mercadológicas, eu me coloco como trader iniciante, embora já esteja a ganhar alguma coisa, porque neste mercado ou se perde ou se ganha. É muito arriscado investir sem ter conhecimento, por essa razão afirmo que não se pode falar do trader sem falar do babys (material orientador de qualquer trader, lá se recebe o A,B,C para se começar a dar os primeiros passos no mundo criptográfico).
OL: Como trader, o senhor pode dizer-me qual das opções é a melhor escolha para quem pretende ser um trader?
MK: O mais aconselhável é nadar em águas turvas, ou seja, ser um trader em potência, embora existam aqueles que não são considerados como trader, mas freelancer. Estes compram um valor e por meio dos traders experientes mandam para a plataforma que, em questão de algumas horas, dias ou semanas, dependendo da negociação, obtém o seu rendimento.
OL: De onde partiu o seu interesse por criptomoedas?
MK: Dia após dia o mundo tende a ser digital, e dentro desta digitalização, estamos diante do emergir da força tecnológica. O meu interesse por criptomoedas é porque eu vejo o mundo numa outra perspectiva, as moedas físicas daqui a 30 anos irão desaparecer. É nesta minha visão futurista que estou apaixonado pelas criptomoedas. Sou um grande investidor e estão sobre a minha gestão várias plataformas em Angola, nomeadamente ONELIFEANGOLA, LIYEPLIMAL ANGOLA, para além de que sou Representante Nacional das seguintes plataformas: Bulbfinance, Petron Pay, Mining City, Alphamining, EvolveFinancial, Solmax, Plexmoney (a ser inaugurada no dia 18/07/2020).
OL: Quais foram as maiores dificuldades que enfrentou para tornar-se um trader em Angola?
MK: “Água mole em pedra dura, bate, bate até que fura”, para dizer que nós que temos uma visão mais atenta da realidade, não muito tangível por parte dos outros, procuramos arriscar, porque as dificuldades são enormes, até porque, uns entendem a nossa profissão como fraude, outros entendem como um sistema de pirâmide e por vezes não se encontra uma comunicação fiável sobre o assunto e vimos uma realidade distorcida.
Em Angola, estamos a crescer de forma vertiginosa, tanto é que a primeira criptomoeda que o país conhece de uma forma restrita é a Onecoin, criada pela empresa Onelife. Embora a moeda mais utilizada no resto do mundo é a Bitcoin, de facto a Bitcoin se apresenta de dois ângulos, como criptomoeda e como uma rede. Mas, em Angola, são duas realidades bem consumidas, estamos a falar da Onelife e da LIYEPLIMAL, uma empresa criptográfica que se encontra no continente africano, mais concretamente em Camarões.
OL: Qual é a melhor estratégia que um trader iniciante deve ter para manter-se no mercado e fazer sucesso?
MK: É necessário receber um treinamento. Ele tem de ter a teoria e depois aplicar o que aprendeu, ou vice-versa. Para ele começar com a prática, deve ter experiência num aplicativo a que chamamos DEMO (é um aplicativo experimental, onde ele vai treinando num período de 6 meses ou 1 ano, de acordo a capacidade de aprendizado de cada um, lembrando que é um período experimental, não se deve investir capital, pois o investimento feito no aplicativo é fictício).
OL: Quais as ferramentas necessárias para aumentar as chances de sucesso do trader de criptomoedas?
MK: “Quem tem conhecimento, tem poder”. Para um trader, é crucial ter bagagem, ou seja, conhecimentos.
OL: As oscilações de preços no mercado de criptomoedas podem vir a favorecer ou a prejudicar o mercado angolano?
MK: Tudo aquilo que é para o benefício da humanidade não prejudica, mas devemos encarar isso na perspectiva científica. O que o mercado angolano terá de fazer é um estudo aprofundado sobre as criptomoedas, uma vez que elas são voláteis, oscilantes, o mercado angolanos só terá a ganhar. Segundo a minha concepção uma das linhas de transmissão da covid-19 é o dinheiro, então é uma das razões para se procurar novas medidas, sem falar que os criptoactivos são unicamente digitais, evitando o contacto permanente com o dinheiro e o risco de contaminação, ou seja, as moedas digitais não são palpáveis, embora se possa transacionar para o dinheiro físico.
OL: O mercado de criptomoedas em Angola, neste momento de pandemia, é favorável a este tipo de investimento?
MK: Muita gente só não tem essa educação, porque o mercado angolano ainda não investiu no homem novo para esse mundo criptográfico, mas é uma mais valia para o mercado. Sublinhando que, num passado recente, o Presidente da Republica frisou o investimento nas plataformas digitais. Esta visão do Presidente pode ser considerada como os primeiros passos para o emergir das criptomoedas em Angola. “Na clareza nós enxergamos tudo, na escuridão a gente não vê nada”. Com o surgimento da pandemia, Angola começa a olhar para outras alternativas, se não fosse a covid Angola não falaria sobre este tema. Se repararmos, Angola se encontra numa masmorra. É necessário passarmos um fio de luz onde a escuridão habita.
A China é um mundo revolucionário onde as moedas físicas já não se fazem muito sentir, a Mining City é uma plataforma potentíssima, que vai praticamente galvanizar o mundo criptográfico. Está se construir uma grande cidade, e esta cidade chama-se Mining City que, na tradução portuguesa, significa cidade de mineração, onde está a ser montada grandes mineradoras que consomem bastante energia para poder facilitar o pulsionar das criptomoedas com bastante volatilidade, frequência e transacção.
OL: Já existem mineradores em Angola?
MK: Sim, temos vários tipos de mineradores: amadores, moderados, expert, especializados. Dizer que qualquer um poder ser minerador, a tecnologia está a permitir que se possa fazer mineração por intermédio de um dispositivo electrónico que contenha um aplicativo de mineração.
OL: Como os traders angolanos têm acesso às moedas digitais?
MK: Por meio de grupos criados no telegram e whatsapp. Como gestor de alguns grupos, posso dizer que os grupos criados para os traders é frequentado por pessoas que procuram ganhar experiência e encontram nos nossos grupos inúmeras respostas às dúvidas que têm sobre as criptomoedas.
OL: Como tem sido a adesão a este sistema em Angola?
MK: Bastante concorrida.
OL: Por que razão se verifica uma falta de conhecimento por parte da população angolana sobre as criptomoedas, blockchain e trader?
MK: Existem dois elementos a reter: a pouca pesquisa e a falta de divulgação por parte dos media.
OL: Quais são as vantagens e desvantagens que a introdução das criptomoedas trarão para a economia nacional?
MK: Falando sobre as vantagens da criptomoeda, dizer que trará para a economia nacional novos empreendedores, facilidades no manuseio do dinheiro, pois ela é meramente electrónica. A mais importante de todas, tu serás o seu próprio banco.
Uma das grandes desvantagens é a dependência deste sistema pela internet. Outro aspecto é a utilização dos meios electrónicos, sem eles não há como aceder às plataformas de criptomoedas e por outra, sem energia, os elementos electrónicos não operam.
OL: O senhor considera-se um trader de sucesso?
MK: Não, porque eu ainda sou pioneiro, considero-me um investigador.
OL: O que separa um trader de criptomoedas bem-sucedido dos restantes?
MK: Um trader bem-sucedido tem a ciência da criptomoeda “a ciência do dinheiro”, para além de realizar todas as actividades do mundo da criptomoedas, contém experiência de mercado e actua em todas as vertentes e estilos trading.
OL: Quais são as suas ambições para o futuro?
MK: Tenho vindo a pescar engenheiros e advogados, no intuito de criar um escritório de profissionais de criptomoedas, para, quando o governo vir a solicitar especialistas, invistam no nativo, nos nacionais. Outra das minhas ambições é vir a escrever conteúdos sobre criptomoedas.
Lanço para já um desafio aos nossos políticos: que olhem para o mercado da criptomoeda, que proporcionem maiores aberturas, que sejam criadas legislações favoráveis aos investidores de criptomoedas e os seus profissionais.
Luanda, 14.07.2020

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